O desempenho no exercício, em
condições de pressão atmosférica reduzida, é afetado pela influência de três
fatores: a resistência do ar, a pressão parcial de oxigênio, e o processo de
aclimatação, que afeta o transporte de oxigênio, o metabolismo e o balanço
ácido-básico. O impacto sobre o desempenho varia conforme a modalidade do
exercício e a distância e duração da prova. Há também uma grande variação
individual entre atletas no que diz respeito à forma como são afetados por uma
mudança aguda na PIO2 e como se adaptam a uma nova pressão atmosférica com a
exposição crônica.
O processo de aclimatação na altitude
leva de duas a três semanas, resultando em adaptações sistêmicas que podem ser
medidas como respostas fisiológicas. Essas adaptações – como o aumento na
ventilação, na concentração de hemoglobina, na densidade capilar, no número de
mitocôndrias e na concentração de mioglobina tecidual – melhoram o transporte
de oxigênio. Ao final do período de aclimatação, essas adaptações fisiológicas
ocorridas estão relacionadas com a melhora do desempenho de resistência
aeróbica na altitude.
Atletas e técnicos devem levar em
consideração que a intensidade de exercício que pode ser mantida pelo organismo
diminui na altitude, o que traz implicações para competições e treinos. O
resultado do treinamento na altitude depende do balanço entre a extensão da
aclimatação do organismo e a habilidade do atleta em treinar numa intensidade
suficientemente alta. Na altitude há um aumento na geração de lactato, uma
queda do pH e uma taxa de fadiga aumentada e, como consequência, a qualidade do
estímulo do treinamento é reduzida, e muitos atletas podem até obter uma
regressão do desempenho esportivo com o exercício em condições crônicas de
hipóxia.
As evidências sobre a questão
altitude e desempenho são controversas. Estudos controlados com permanência na
altitude, ou simulação de altitude em câmara hipobárica, demonstram melhora no
desempenho, enquanto outros, com semelhante metodologia, concluem que o
treinamento em condições de hipóxia não provoca nenhum efeito aditivo no
desempenho.
É necessário, assim, um maior
embasamento científico, para que se comprove que a aclimatação à altitude
provoca, de fato, mudanças no desempenho físico ao retornar para o nível do
mar. A investigação na área de nutrição, desempenho e altitude possui entraves,
como a grande variabilidade da resposta individual ao treinamento na altitude e
à exposição à hipóxia, a dificuldade de formação de um grupo controle dos
atletas estudados, para assegurar que possíveis mudanças no desempenho tenham
ocorrido pela presença da altitude e não pelo treinamento per se; e a própria
permanência na altitude, que dificulta o estudo de grandes amostras.
Para que se possa demonstrar a
manutenção do desempenho e a duração destes resultados após permanência em
altitude, pesquisas futuras deveriam continuar investigando os efeitos deste
tipo de treinamento após o retorno dos indivíduos ao nível do mar. Isso poderia
permitir o estabelecimento de uma estratégia com a inclusão de um microciclo na
altitude. Estudos com grupos cuidadosamente controlados, pareados, com
intervenção randomizada, poderão superar grande parte das limitações acima
citadas, elucidando, de forma mais consistente, a questão treinamento na
altitude e desempenho.
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